sábado, 17 de março de 2012

Ela corria pela praia. Seus cabelos dançavam com o vento, seus pés dançavam com a areia e areia dançava com toda ela. Ria e sua risada reverberava, entrava nos sentidos mais ocultos e ali instalava morada. Ria porque corria. Ria porque amava. A cada passo ele parecia alcançá-la, suas mãos tateavam o vento e só encontravam areia. A cada passo ele devorava, mas só cuspia areia. "Venha, venha minha menina, venha brincar de amar", repetia ele em mil ritmos diferentes, mil passos já tinha dado desde então. Corria, lançava os braços, amores, beijos, sua alma. Corria mas não a alcançava.
Acordou cansado, acabado, em sua cama mesmo. Puta solidão. Olhou para o lado, logo farejou. Farejou o cheiro do mar, sentiu na mão os grãos de areia, fios do cabelo dela. Mas onde estava? Não saberia, jamais saberia. Deixou-se estar na cama, tomado pelo desejo de devorá-la. 

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